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Correr na Cidade

Review: Adidas Raven 3

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Por Luís Moura

As raven 3 são umas sapatilhas diferentes no aspecto a quase tudo o que existe no mercado.O estilo, a maneira como a sola foi desenhada, o sistema de atacadores mais moderno. Tudo junto faz com que a sapatilha tenha um aspecto diferente do "normal".


Introdução

As Raven 3 vieram substituir no mercado as Raven 2 e revolucionar a direcção que a Adidas dava ao mercado das sapatilhas para Trail desenvolvidos por eles até aqui.


Neste modelo apresentam 3 novas inovações :
- o sistema TECHFIT TECHNOLOGY com um novo sistema de suporte superior ao criar um tunel parecido como uma meia, que estica para tentar ajustar-se ao pé feito apenas por uma peça elástica juntamente com um novo sistema de cordão que se puxa e protegido por uma pequena lingua

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- o sistema ADAPTIVE TRAXION na sola que tenta minimizar o desgaste na sola na borracha mais suave e em sentido contrário fornecer mais grip nos pisos mais escorregadios, através de um sistema engenhoso de "esconder" a borracha suave ( circulos verdes )
- O uso da sola de borracha Continental visa aumentar a tração em terrenos mais duros e planos.

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Apresenta um drop de 10mm que faz com que o pé fique com uma tendencia de ataque mais pronunciada, com um ataque ao solo mais suave no calcanhar para quem usa esse tipo de passada. A mistura de diversos tipos de borrachas e desenho tem o objectivo final de proporcionar o máximo de tração em todos os pisos que se pode encontrar nos Trails.


Aspecto e peso
Primeira coisa que saltou à vista, foi o peso e o sistema de apertar, substituindo os normais atacadores de apertar por um sistema parecido com o que a Salomon usa.


A sola tem um aspecto peculiar na maneira como conjuga a parte da borracha continental com outros tipos de borracha/sintéticos, criando um mix de tração que vem a ser muito util conforme indico mais à frente.


O seu peso anunciado de 340gr faz delas umas sapatilhas com peso médio dentro das sapatilhas de trail, mas como acontece nestas situações, em trails mais compridos onde podemos estar 8 ou 12h a correr, o peso extra que ela tem pode ajudar a um maior cansaço e aumento de caimbras devido ao maior trabalho das pernas para puxar as sapatilhas.


Em treinos curtos de 15/20km e no ultra Trail da Arrabida não me cheguei a aperceber do peso extra.

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Suporte e Conforto
Quando vamos calçar as sapatilhas a primeira vez, reparamos que a parte de cima que cobre o pé é muito baixa, fina, e que temos dificuldade em fazer os pés deslizar para dentro das mesmas. A parte da frente é muito baixa mesmo e o "esqueleto" reforçado que apresenta no meio da sapatilha, que faz com que a sapatilha envolva o pé é demasiado apertado e rigido.

 

Penso que houve uma preocupação da Adidas em criar um sistema que permitisse à sapatilha agarrar os pés e produzir o menor movimento possivel dos mesmos á medida que se sobe e desce, mas o facto é que o espaço que fica para o pé no interior da sapatilha é muito pequeno, e mal se acaba de puxar os atacadores sente-se logo um desconforto imediato. Parece que a sapatilha está demasiado apertada. Isso nota-se ao longo dos quilometros, onde de vez em quando sentimos o pé a doar na parte superior na zona dos tendões.


Na parte inferior da sapatilha, tanto na zona da sola como na zona da ligação com o tecido, acho que o equilibrio é muito bom. Quando começamos a correr com elas sentimos uma boa protecções contra pedras e restantes elementos que nos podem fazer mossa, e mesmo ao fim de 20/30km o pé mantem-se confortavel na parte inferior, sem grandes problemas de aquecimento ou deslocações.


Sistema de apertar cordões
Este sistema inovador que tem imensas semelhanças com a patente da Salomon, é o verdadeiro calcanhar de aquiles desta sapatilha. É dificil de apertar o sistema e encontrar um equilibrio entre conforto e tensão q.b. Para quem como eu usa Salomon à mais de 2 anos, fica-se muito desiludido com esta aproximação falhada.


O esqueleto de reforço lateral da sapatilha é muito apertado e quando se puxa os atacadores para ajustar o melhor possivel, ainda se fica pior.


O tipo de material usado é demasiado agressivo para os dedos quando tentamos fazer pequenos ajustes e a lingua desenhada para proteger a parte remanescente dos atacadores não faz qualquer sentido. Penso que falharam retundamente no desenho desta parte da sapatilha. A intenção era guardar o remanescente dos cordões debaixo da lingua, mas num uso normal em trilhos com muitas silvas, arbustos e galhos soltos, não se aguenta. Ficam logo presos a alguma coisa e saltam fora da lingua.


É uma pena porque tinha todas as condições para somar pontos ao resto da sapatilha e assim só prejudica o conforto que sentimos.

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Sola e aderência
A verdadeira guerra natural quando se decide por umas sapatilhas de trail. Como é a sola e que tipo de aderencia proporciona.


Como vamos passar muitas horas a correr e em situações onde a aderencia é baixa, seja a subir ou descer, é natural que seja um dos principais pontos a considerar quando se compra uma sapatilha para trail.


Este mix acabou por ser uma agradável surpresa.


Tem uma aderência muito boa em quase todos os pisos menos na lama. Até na calçada portuguesa se aguenta relativamente bem devido à borracha da Continental que faz parte da sola. Num uso normal em trilhos de Portugal tem uma aderencia acima da média.



Resumo final
Desde 19 Setembro, tenho 20 treinos/corridas com estas sapatilhas num total de 455km e 12.605 D+.
Desde treinos em Monsanto de 15km com piso seco até aos 82km da Arrabida com lama e rocha até sair pelas orelhas.


No geral, a nota final é muito positiva. A sapatilha é um pouco desconfortável por ser muito dificil de acertar com a tensão nos cordões mas de resto, quase tudo passa com nota muito alta.


O desconforto dos cordões não afecta o conforto geral de maneira significativa a ser ficar com uma má impressão e aguenta muito bem as mudanças de direção laterais e verticais sem os pés andarem a passear dentro das mesmas.
No final, não se sente muito o peso da mesma e o sistema ADAPTIVE TRAXION permite mudar de piso com pouco impacto na nossa progressão. O TECHFIT deverá ser revisto com urgencia. Depois de falar com alguns corredores que também tem estas sapatilhas, todos referiram este pormenor como o ponto mais negativo. O facto de acumular sujidade na peça que ajuda a prender os cordões no sitio, é horrivel pois o sistema começa a tornar-se penoso de usar.
Preço/qualidade diria que é uma excelente sapatilha. Depois de toda a pancada que já levou, continua ainda com poucos indicios de uso, excepto no material interior da mesma. Sola e suporte inferior continuam em muito bom estado.


Pontos mais positivos

- Aderencia

- Estabilidade e segurança que transmite

 

Pontos menos positivos

- sistema de fecho dos cordões

 

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Avaliação (de 0 a 20):

DESIGN : 15
CONFORTO : 17
PREÇO:  19
ESTABILIDADE : 20
AMORTECIMENTO: 19


Avaliação Total (de 0 a 100): 90

p.s. Se avalissemos o factor aderência, este paramêtro merecia 15 valores, numa tabela de 0 a 20.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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