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Correr na Cidade

Race Report: O meu primeiro Ultra de 100K

 

Por Stefan Pequito:

No passado sábado, dia 17 de maio, decorreu o Ultra Trail de São Mamede (UTSM), prova do campeonato nacional de trail. Como alguns leitores sabem, só em janeiro comecei a correr Ultras e na altura nem pensava sequer em provas de 100 quilómetros.

Mas um dia ao passar pela loja da Pro Runner em conversa com o Ricardo Arraias falou-me da Prova Rainha do trail e acabei por cometer a “loucura” de me inscrever. E desde esse dia que comecei a treinar com esse objetivo.

 

A aventura do UTSM começou na véspera onde desde arrumar tudo para que nada faltasse e ir apanhar o autocarro com amigos. Foram duas horas e tal de viagem com uma paragem pelo meio para comer massa de atum com banana, LOL.

 

Mal chegámos fomos buscar o dorsal e entregar a mala de muda de roupa. Depois foi o momento da “seca” de esperar pela partida. Pelas 23 horas fui ao controlo e lá entrei na “jaula” para o arranque. Fui um pouco lá para a frente e encontrei o Emanuel Manchada. Arrancámos pelas 00h todos juntos naquela loucura.

 

 

Os primeiros 20k foram bastante corridos. Até achei que tinha corrido demais já que os fizemos em 2 horas e pouco, confesso que fiquei com algum receio pois ainda faltavam 80 (84) quilómetros...Também pelos 20 e tal quilómetros começaram as subidas e aí as coisas começaram a doer.Posso dizer que é muito complicado correr noite dentro e muito cansativo em termos mentais, faz-nos entrar um pouco em modo de loucura, mas a companhia do Emanuel foi uma grande ajuda.

 

Pelos 40 quilómetros posso confidenciar que estava todo “rebentado” e a cabeça já pregava partidas: desde de ter fica daltónico, a rir sozinho, a ter dores nas fibras todas do meu corpo. Sou sincero, pensei que não conseguia correr mais.Pelas 5h30m nasceu o o sol e recarreguei. Ganhei outra genica e as forças voltaram, e lá fomos nós para mais subidas e descidas no meio do mato. 

 


Às 8h30m chegamos as 60k e fiz a troca de roupa - e ainda bem pois o calor já estava bem alto. Entretanto, o meu companheiro de corrida Emanuel aleijou-se e ficou mesmo por ali. Comi uma sopinha bem boa de legumes e arranquei de seguida, no entanto foi complicado aquele reinício pois passamos por um empedrado romano horrível.

 

Às 9h partiram os corredores da distância dos 42K, que passavam por nós a toda a velocidade. Um pouco mais a frente encontrei o Paulo Pires e o Ricardo Nos Trilhos e fui acompanhando estes dois senhores dos trilhos. Corremos por trilhos tramados no ritmo constante e forte para quem já tinha 70k em cima.

 

Calor, muito calor. Fiquei sem água duas vezes, mas tive a sorte de os packs serem perto e nunca fiquei mal. Aos 80 bateu o azar ao Paulo e tivemos de abrandar um pouco. Aos 90k decidi dar mais uma arrancada e ver no que dava. Foi uma boa decisão pois o corpo respondeu bem e consegui fazer uma recuperação de 15 minutos tendo ultrapassado quase 10 pessoas.

 

Cheguei ao fim com 15 horas 29m e mesmo com os 104k nas pernas ainda fiz a volta toda ao estádio (local de chegada) em sprint (mas mais lento do que o meu normal). Fiquei em 93º da classificação geral e em 43º no meu escalão. Fiquei contente pelo meu primeiro ultra de 100k ter corrido muito bem, mas fiquei com a sensação que podia ter feito melhor.

 

Para o próximo ano há mais! E vou fazer tudo para conseguir ainda melhor de que neste ano de estreia. Foi, para mim, a aventura do ano até ao momento. A prova teve tudo muito bem organizado e os corredores contaram sempre com o apoio da população.

 

Agora que venha a próxima prova de 100K que espero que seja o UTAX!

 

Não posso terminar este relato sem os meus agradecimentos aos Miguel Santos (massagista desportivo) e ao Ruben Gonçalves (osteopata) pelo apoio que me deram e de terem posto o meu corpo “direito”. À minha running crew  (Correr na Cidade) que sempre acreditou em mim, e principalmente ao Pedro Luiz que sempre acreditou que eu era capaz e que me trouxe há cerca de 1 não para o mundo das corridas e, mais precisamente, há sete meses para os trilhos. Agradecer também à  minha família que me sempre me apoiaram e à loja Girassol pelos conselhos de material de nutrição. E ainda um muito obrigado a e a todos que me apoiaram nesta “loucura”. 

 

 

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