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Correr na Cidade

Race Report: A grande aventura que foi o LouzanTrail 2015 (2ª parte)

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Por Ana Sofia Guerra

 

Os primeiros 12 km foram sempre a subir, subidas muito íngremes, com um calor enorme. À minha volta tinha corredores experientes (que reconheci de outras provas) e que estavam tão ou mais aflitos do que eu. Durante esta parte da prova fui sempre no encalço da Liliana e, numa das subidas, reparei que ela não estava bem. Perguntei se estava bem e se precisava de alguma coisa, ela diz que não e manda-me seguir. No final da grande subida voltei a encher a “bexiga” de água fresca, mas o calor apertava cada vez mais.

 

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De seguida, aparece uma parte sempre a descer, com estradas cheias de pedras e onde, à mínima distração, a queda era inevitável. Mas não caí! E ainda deu para acelerar um pouco.

 

Ao chegar ao abastecimento dos 14k (?) vejo o Luís Moura. Não o esperava ver ali e perguntei logo o que se tinha passado: desistiu da prova. E, pelo que contava, o Pedro Luiz também. Comecei logo a imaginar que ainda ia ter mais dificuldades. Mas ainda bem que o Moura fez essa escolha, pois ia ser determinante para a nossa continuidade na prova. Passados cerca de 5 minutos chega a Liliana, cansada (como nós) e também surpreendida por o ver ali. A partir daquele ponto decidimos ir os três até ao final. Já tinha dito que o calor era infernal? À medida que ia correndo, sentia o calor da terra cada vez mais intenso. Sentia-me inchada, fraca. Mas continuei.

 

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Continuámos a subir até à “nossa” aldeia (lá para 19 Km) e aí volto a separar-me deles por momentos, pois voltei a ficar sem água e precisava duma fonte urgentemente. De repente, oiço alguém gritar “há aqui água fresca” e subi a correr. Aquela água estava fresquinha e soube lindamente. Recomecei a correr e chego a outro abastecimento onde encontro o Nuno Alves (a descansar um pouco) e o pai do Pedro que me disse: “para mim isto acabou”, o calor e a desidratação tinham vencido esta batalha. Enquanto como umas gomas (que até nem gosto, mas a fome era negra), aparece o casal maravilha e lá seguimos nós novamente, agora na companhia do Alves e dum amigo.

 

Era sempre a descer. Fácil, pensam vocês. Mas longe disso. A mente dizia para continuar, mas as pernas não respondiam. Não era fome, era mesmo cansaço. O gel era alternado com o sal, e eu sentia logo a diferença. O calor teimava em não abrandar e eu tinha perdido a conta de quanta água tinha bebido. Quando faltavam cerca de 3-4k para a meta, um senhor da organização informa-nos que na serra estão mais de 40 graus e consegui negociar com ele um pouco gelo para refrescar a nossa água. Descansámos um pouco e voltámos a descer. Descidas íngremes, cheias de pó, ramos cortados no chão. Nessa altura, afasto-me novamente do casal, pois tiveram de fazer nova paragem. E eu sabia que, se parasse, ia custar muito mais.

 

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Os últimos 2 km faço-os sozinha, sem música, a ouvir os sons da serra e sempre a pensar se a Liliana estava bem e se continuava a correr. Ao chegar aos riachos para largar a serra, meti logo os pés na água. Que maravilha! Ainda tive força para sorrir para o meu telemóvel e para a máquina das fotos do Zé. Até à meta cruzei-me com alguns corredores dos 45 km (na realidade 53 km e uns trocos) a quem aplaudia e dava aquele “shot” de energia positiva. Notava-se bem que estavam exaustos e no limiar das suas forças.

 

A minha chegada à meta foi algo confusa, pois dirigi-me ao local da partida em vez do da meta. E depois, veio o alívio! Estava feita! (e a perna esquerda nunca me doeu). De medalha ao peito vou ter com os meus companheiros de aventura que estavam cansados, mas muito animados. Cerca de 10 minutos depois chega a Liliana e o Luís. E, para fechar em beleza, um abraço emocionado e sentido entre mim e ela. Aquilo é que tinha sido uma aventura.

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No que toca à organização (e esta é a minha opinião), todos foram 5 estrelas comigo: simpáticos, atentos ao meu estado, prontos a ajudar e a dar dicas úteis. Acho que ninguém estava preparado para aquele calor todo, principalmente porque não é comum naquelas bandas. A prova já por si era dura e, com este calor, acabou por se tornar um episódio do Survivor. Também quero elogiar as fantásticas medalhas e toda a estrutura do projeto que está por trás desta ideia.

 

Quanto a dicas de melhoria, acho que deviam ter em atenção à distância da prova. O meu relógio marcou 28,6 km e eu nunca me perdi. E os dos 45k fizeram 53k. Mais 1k naquelas condições deitam qualquer um abaixo e acabou por nos desorientar na localização dos abastecimentos. A meta devia voltar a ser dentro do largo como no ano passado. Logisticamente pode ser mais difícil mas, para quem corre, aquela entrada é fantástica! Os abastecimentos também podiam estar mais completos, pois só se viam mais gomas, bolo e banana.

 

Ah, fica também a dica de darem um pouco de Licor Beirão com gelo no final.

 

Boas corridas!

(leia a 1ª parte desta race report).

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