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Correr na Cidade

O meu primeiro Trail na primeira Crew Road Trip

Por Nuno Malcata:

Depois da estreia na Maratona em Sevilha no passado dia 23 de Fevereiro, agendei a estreia em Trail para o Piodão. Embora já tivesse visitado esta bonita aldeia histórica, o entusiasmo de me estrear nos trilhos desta zona foi enorme. Foi também uma optima oportunidade de fazer uma "Crew Road Trip" e dos elementos do Correr na Cidade se conhecerem ainda melhor e conviver das melhores formas que existem, a correr e à mesa.

 

Neste pouco mais de um mês entre provas, pouco me preparei para a estreia em Trail. Depois da Maratona e das dores no joelho foi necessário parar, descansar, iniciar tratamento e fazer recuperação. Começei a fazer treinos leves e variados, reforço muscular, voltar a nadar, andar de bicicleta e correr apenas uma vez por semana de forma muito ligeira.  Na semana anterior ao Trail e com uns ténis de Trail emprestados por um amigo fiz dois treinos na mata do Jamor, de 30 e 45 minutos que deram o OK para a estreia no trilhos.

 

Iniciamos a "Crew Road Trip" na sexta-feira com jantarada de pizza na Malveira, para acumular hidratos com fartura para o esforço do dia seguinte. Pernoitamos n’A Casa Amarela em Pinheiro de Coja, uma casa de turismo de habituação de um simpatico casal Belga, que tão bem nos receberam.

Arrancamos no sábado bem cedo para o Inatel do Piodão para levantar dorsais e fazer os preparativos para iniciar as respetivas provas. Lá encontramos alguns amigos entre os participantes, o ambiente era fantástico.

 

 

 


Da Crew no Ultra Trail de 50Km participaram o Pedro Luiz, o Tiago Portugal e a Carmo Moser que arrancaram para a sua prova pouco passava das 9h.

 

Para o Trail, de 21Km fomos alertados que a prova teria um pouco mais de distância, cerca de 2Km. A minha expetativa de iniciar a prova era muito grande, sendo a estreia o nervosismo era algum mas o espirito era de me divertir e disfrutar o mais possível, sem qualquer expetativas relativamente a performance ou tempo para fazer a prova. 

Por volta das 09h15m, eu e a Bo Irik, a minha companheira de Crew na prova, entramos na zona de controlo, tendo deixado a minha mulher Joana que iria participar na caminhada de 15Km.

 

Iniciada a prova pouco depois das 09h30m, os primeiros kms foram feitos entre as ruas do Piódão e alguns trilhos muito bonitos e até a mais uma aldeia de Xisto onde se iniciou a primeira grande subida da prova.

 

Entre o km 5 e o km 10 foi sempre a subir a passo, 600m de desnível ultrapassados em óptima conversa com a Bo, apesar de a subida ser longa e dura a conversa fez a subida passar num instante. Chegados ao topo fomos surpreendidos com uma vista fenomenal e trilho para voltar a correr.
 


A Bo, já mais habituada aos trilhos parecia uma gazela à solta e em poucos metros distanciava-se com facilidade.

 

Após 2km em que consegui correr um pouco, à medida que começámos a descer começaram as minhas dificuldades com as descidas. O terreno tinha bastante pedra, começei a ficar trapalhão, caí, fiz pequenas entorses e começei a fazer muita força a travar nas descidas. Por falta de experiencia e medo de descer forçei muito as pernas e ao km 14 começei a ter espasmos musculares e inícios de câibras. Hidratei, comi e fui controlando a descida até ao abastecimento no Km 16, onde a Bo, que desceu com toda a facilidade, me esperava.

 

Após alguma desmoralização na descida, compensada com os locais fantásticos que ia atravessando, a chegada ao abastecimento foi um encher de ânimo brutal. A simpatia da equipa da organização, o bom abastecimento líquido e sólido e a boa disposição de todos fez com que as reservas de energia ficassem em óptimo nível.

 

Fomos alertados que o próximo abastecimento estava no Km 19, mas até lá a subida era grande. E era mesmo! À saída do abastecimento entrámos num trilho ingreme e passinho a passinho fomos subindo os cerca de 500m de desnível até ao marco geodésico onde se encontrava novo abastecimento. Foi uma subida muito dura, com paragem a meio para abastecimento próprio, dado que os espasmos musculares nas pernas continuavam.

 

 

  

No abastecimento do Km 19 nova equipa da organização cheia de boa disposição, que quase nos obrigou a ir embora ao fim de 15m, tão bem que lá estávamos entre boa conversa, fotos e abastecimento.

 

 

No inicio da descida despedi-me da Bo, sabia que iria demorar muito na descida, e ela estava fresca e à vontade a descer. 

 

 

Fiz a descida também a passo, cada vez que tentava correr em locais mais planos as pernas queriam ceder às câibras. A descida custou-me tanto que demorei quase 20m a fazer o Km 20.

 

Terminada a descida, entramos na estrada de alcatrão, e durante algumas centenas de metros forçei o ritmo e as pernas soltaram um pouco, mas a surpresa da prova estava guardada para os 2 kms finais.

 

Na fase final saímos da estrada numa nova entrada em trilho para descer até à aldeia do Piodão, terminando com uma subida final entre a aldeia do Piodão e o Inatel, que acabou com o pouco de reserva de energia que tinha.

 

 

Cheguei à meta exausto, entrei no Inatel, procurei a Joana, que tinha já terminado a sua caminhada, e a Bo e aterrei num sofá. Só dizia “Isto não é para mim”.

 

Tentei alongar, não conseguia. Se tentava alongar um sitio tinha início de câibra em outro. Vi o letreiro das massagens e fui, precisava de ajuda para melhorar do estado caótico em que estava. A massagem foi milagrosa e permitiu voltar a ter um andar minimamente normal. Agradeço à equipa das massagens pelo seu fantástico trabalho.

 

Após a massagem, duche geladinho - único ponto a melhorar numa organização fantástica a todos os niveis- foi hora de repor energia com uma sopinha, uma optima broa de batata e batatinhas com sal, soube tudo pela vida.

 

Enquanto comia começei a pensar no que tinha vivido nas 4h30m de prova. Demorei tanto tempo a fazer os 22Km do Trail como a fazer os 42km da Maratona, custou-me o dobro, sofri muito mais física e mentalmente, embora tenham sido tudo problemas musculares e nem senti sombra da lesão no joelho que me assombrou a Maratona. Mas após tudo isto, dei comigo a pensar, “quero voltar a fazer isto”, “quero aprender a descer melhor”, “quero melhorar, evoluir”. E sobretudo quero voltar a viver o espirito que se vive numa prova assim e passar em sítios quase mágicos como os que passámos durante a prova.

 

Após o descanso e reflexão, eu, a Bo e a Joana fomos receber os nossos Ultras da Crew, partilhamos com eles os últimos metros das suas provas, em momentos fantásticos que nos tornam cada vez mais unidos, foi simplesmente brutal.

 

Com todos os elemento da Crew reunidos, foi tempo de tirar a foto de grupo no pódio, afinal fomos todos vencedores.

 

 

Para terminar um dia tão memorável, regressamos ao Pinheiro de Coja onde nos deliciamos com uma das melhores chanfanas que comi na vida, levada pelo nosso Ultra Pedro Luiz (na foto em baixo com David Cardinho, diretor desportivo do INATEL), numa refeição cheia de partilha de experiencias e momentos de cada um na prova.

 

 

 

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