Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Correr na Cidade

My Path to MIUT 2015 - Histórias de uma jornada - O MIUT (Final)

18094289_cJzzO.png

 Por Pedro Tomás Luiz

 

18:19 - 21:47 Poiso

 

A passagem pelo abastecimento do Pico do Areeiro, foi sem dúvida retemperadora, uma bela canja, mais uns figos passados e o spray frio no joelho fizeram milagres no corpo e na alma.

 

Começava a anoitecer e do Areeiro ao Poiso eram quase 14km com 800 d+,  pautados por uma descida até ao Ribeiro Frio e por uma subida (a última) até ao Poiso.

 

Se no meu dia a dia, tenho um sono de morte entre as 19h e as 20h, agora imaginem estando acordado há mais de 36 horas. Corri em modo sonâmbulo, de tal forma que era extremamente difícil manter os olhos abertos, sentia a minha atenção e capacidade de reacção a diminuírem drasticamente.

 

Levei até ao limite que podia, tendo chegado a um ponto depois um ou dois sustos, tive de parar e "pastilhar" a água com cafeína, ainda bamboleei uns 15 minutos mas a coisa compôs-se.

 

Chegado ao Ribeiro Frio era tempo de começar a subir, escaldado pelas subidas anteriores, a minha cabeça vinha a imaginar uma parede quase vertical com degraus a perder de vista. Por isso quando percebi que aquela era uma subida em empedrado, com um declive bastante aceitável, comecei lentamente a acelerar.

 

Mais uma vez muito bem recebido no abastecimento do Poiso, sentei-me fiz os últimos telefonemas para casa a dizer que estava tudo bem, alimentei-me com um caldo de canja e olhei para as horas... 22:10... pensei: "25km até ao Machico... quanto tempo vou precisar? 

 

A verdade é que por mais contas que fizesse, não era capaz de fazer nenhuma previsão, já tinha 90km nas pernas e não fazia a minima ideia de quão técnica era a descida.

 

21:47 - 25:59 Machico

 

Arranquei... pouco a pouco comecei a perceber que não só conseguia correr, como conseguia correr relativamente rápido.

 

Toda a motivação começou a vir ao de cima e meti "prego a fundo" (isto tem de estar mesmo entre aspas, porque temos sempre de relativizar as velocidades atingidas).

 

Corri... corri e corri... deixei de parar nos abastecimentos e continuei a correr... corri o caminho todo até à meta, passei mais de 100 pessoas e subi 49 lugares na classificação.

 

O corpo tem coisas extraordinárias. Ainda hoje não sei o que me aconteceu... se foi o frio da noite, ou o calor dos telefonemas que recebi. O que é certo é que terminei forte, como nunca pensei terminar...

 

Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

 

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.