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Correr na Cidade

Crónica X: Nunca tiveram medo de correr?

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Por Filipe Gil

 

Isto não anda bem! Se me perguntassem qual das piores coisas que me podia acontecer na preparação para o Ultra do Piódão, responderia imediatamente que era uma lesão. Uma daquelas impeditivas que até me faria desistir da viagem e provavelmente não arredaria pé de Lisboa.

Felizmente – e vou bater na madeira três vezes – não foi isso que aconteceu. Mas as coisas não andam bem. Sobretudo com o meu joelho direito. Quem tem lido estas minhas crónicas já deve ter percebido que na da semana passada vos escrevi sobre uma dor que surgiu no treino longo que fiz em Sintra, perto do quilómetro 30, e que repetiu a mesma sensação que tive ao quilómetro 30 no Louzan Trail e que me fez descer muuuuuito devagar por causa das dores.
Ora bem, depois desse domingo, fiz um treino no Jamor e à mínima subida oudescida, a dor voltou a surgir. Decidi descansar até ao treino THE PACK na passada quinta-feira.

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Os primeiros quilómetros de treino correram muito bem, no THE PACK. Apesar do ritmo não ter sido estonteante, fui correndo bem. Ora mais à frente, ora mais atrás quando me “relembrava” que estava ali para guiar o treino e não para curtir, apenas.

Às tantas começo a sentir uma pressão e impressão na tal parte do joelho direito. Uns quilómetros mais – o treino teve muitas subidas técnicas – comecei a ter dores valentes. Tantas que tive de parar. Acabei o treino mais cedo, encurtei a distância e na companhia do Nuno Malcata fiz o resto do percurso a andar e a correr – sim, porque em terreno plano a dor não surge. Aliás, houve uma altura em que estava bem “solto” e a ganhar ritmo.

Fiquei assustado, e durante sexta, sábado e domingo não me mexi. Podia tê-lo feito, nem que fosse por hora a hora e meia. Mas confesso que ando “borrado de medo” de ter uma lesão do tipo das que falei no início desta crónica. Muito medo. E com isso perdi, por dias, a vontade de correr. Estou a falar a sério. Durante o fim-de-semana a minha mulher até me perguntou se não ia correr. Eu respondi que não, não me apetecia…por cauda do joelho. Era isso, mas não só. O prazer de correr esteve ausente durante uns dias, e confesso que até hoje ainda não voltou.

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Entretanto marquei consulta para a passada segunda-feira, mas que teve de ser adiada por motivos pessoais. Não sei o que se passa com o meu joelho. Falei com o Stefan Pequito que me indicou que poderá ser o facto de usar palmilhas duras para pronação nos trilhos, e com a natural e necessária rotação do joelho nos trilhos, o facto de haver aquela barreira não está a ajudar o joelho no seu movimento natural. O facto é que este é o meu pé menos pronador. Não sei se não devo abdicar do uso das palmilhas nos trilhos. Assim, estou a pensar seriamente usar os Puma Faas 500 TR sem palmilhas da IronMan para pronadores. Cómodos eles são. 

Mas na passada segunda-feira, sem ida à consulta,  aproveitei e fiz um ligeiro treino, e coloquei a mesma subida no Jamor que me tinha doído oito dias antes. Resultado: não doeu. Não senti nada no joelho. Mas voltei a parar depois de 4 quilómetros. Voltei a andar durante um pedaço, sem vontade de correr. A fazer frete. E a crescer em mim um sentimento que vou ao Piódão fazer nada. Que vou desiludir amigos, a família, a marca que me apoiou, etc.

 

No início desta preparação estava com força e muitas dúvidas. A meio e até há cerca de duas semanas tinha a certeza que estava em forma para fazer uns 50 quilómetros sofridos, mas, mesmo assim confortáveis. Agora, o sentimento ronda os pensamentos de “o que vou lá fazer?”; ou “vou atrasar o pessoal com a minha má preparação física”; “porque é que me meti nisto”; “odeio correr tão mal”. And so on….

Não será que vou fazer uns bons 30 quilómetros e depois chego aquele ponto, dos 30K, e fico por ali?

 

Esta semana vou ter dois treinos mais longos – nunca ultrapassando os 20km  - e serão decisivos para perceber se este joelho volta a chatear para o Piódão. Se devo colocar bandas de kinésio, se devo levar comprimidos de anti inflamatório para a prova. Etc. Mas sobretudo, serão decisivos para vencer este medo de correr, medo de falhar, este medo puro do "estou quase a ser bom" mas fico-me pelo quase e nunca sou bom em corrida nenhuma....

Contudo, sei de um truque para acabar este "RunnersBlues", se resultar conto-vos na próxima semana. Até lá!

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2 comentários

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    Filipe Gil

    18.03.15

    Talvez seja mesmo isso. Obrigado.
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