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Correr na Cidade

Crónica VIII -Perguntas & Respostas a um candidato a Ultra Maratonista

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Por Filipe Gil

 

Juro que estou a tentar fazer tudo para que vos consiga "agarrar" a estas crónicas semanais. Pelo que vejo nas visitas ao site e nos cliques dos post que escrevo sobre a minha preparação para o Piódão, está a correr bem e estão a gostar. Mas isso não basta. Criatividade acima de tudo!!!.

Por isso mesmo, decidi inovar e fiz uma espécie de entrevista a mim mesmo, giro não? Algumas perguntas inventei, outras são fruto de dúvidas que algumas pessoas vão tendo quando falam comigo sobre o assunto. O resultado destas Perguntas & Respostas sobre a minha preparação para os 50Km do Ultra Trail do Piódão é este:

 

Há quanto tempo corres nos trilhos?

A minha primeira experiência foi nos trilhos de Casaínhos em 2013. Foram apenas 15 quilómetros, mas deu para perceber se gostava ou não. Aliás, até esse momento sempre achei "tolo" correr no meio da lama e das serras e nunca percebi muito bem a "onda" do trial. Foi castigo! Fiquei apaixonado e não quero outra coisa. Até ao momento, a minha prova mais a sério foi a dos 33km do Louzan Trail, em Junho de 2014. Desde então tenho feito várias provas e treinos abaixo dos 30 kms.

 

Porque vais fazer uma ultra?

É uma boa pergunta (LOL). Porque decidi que era hora de me propôr um desafio, e porque quero ostentar a palavra ultra no meu curriculum. Já encomendei uns autocolantes para colocar no carro a dizer: "Quando não estou a conduzir, estou a correr ultras", brincadeira. Respondendo mais a sério, porque tenho o maior respeito pelos meus colegas de crew, melhor dizendo, amigos de crew, que já fizeram ultras distâncias e gostava de me juntar ao "clube". E porque achei que seria finalmente a altura de me propor um desafio para o qual vou ter que descobrir coisas novas e que vou estar na dúvida se o vou conseguir até pisar a meta.

 

Porque razão tens o apoio da Puma?

Vou confessar que sempre gostei da marca. Quem me conhece bem sabe que há uns 10 anos atrás, tinha muita coisa desta marca, sobretudo na área do lifestyle. E porque sou um pedaço "cagão" e gosto de usar coisas que as "massas" não usam. Aqueles modelos mais exclusivos, aqueles ténis que poucos ou ninguém ainda tem. Podia ter-me dado para outra coisa, mas sou assim. E a Puma apesar de ser uma marca das mais conhecidas no mundo não é tão mainstream do meu ponto de vista. Quando descobri que estavam a apostar na corrida, decidi enviar-lhes um e-mail a perguntar se me apoiavam nesta aventura. E, como são loucos, disseram que sim. Atenção, o apoio é meramente de equipamento e sapatilhas, o que já é muito. Mas aumenta ainda mais a minha responsabilidade de fazer uma boa prova, até porque, quer eles queiram ou não, não vou devolver o material (outro LOL). Tenho uma relação muito descontraída com eles, o que é excelente. E apesar do foco da Puma ser a corrida de estrada, o material que têm é excelente para correr,seja nos trilhos ou no alcatrão.

 

Que música ouves quando treinas?

Não oiço. Deixei de ouvir música à medida que me fui apercebendo que levava headphones mas não prestava atenção nenhuma ao que estava a dar. E descobri também que isso me atrapalhava a ouvir quer o ambiente que me rodeia quer a minha respiração enquanto corro.

 

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Que provas (de ultras) gostavas de fazer?
Em Portugal gostava de fazer umas quantas,  São Mamede, Serra D’Arga, UTAX e Arrábida. Mas não penso muito nisso. A maioria das provas em que me inscrevi foi por impulso. Este ano ainda gostava de voltar ao Louzan Trail, de fazer uma corrida noturna em Óbidos e a Scalabis Night Race. Para o resto não tenho planos. 

 

Vais continuar a fazer ultras nos próximos anos?

Provavelmente não! O meu plano é concentrar-me em provas até 30 quilómetros nos próximos dois anos. Porquê? Por várias razões, mas sobretudo porque não tenho muito tempo disponível para treinar como deve ser. E isto é tudo muito bonito, mas não gosto fazer más figuras, e a minha vida profissional e familiar não me permite grandes tempos para treinos - pelo menos os que são necessários para fazer ultras várias vezes ao ano. O que estou a fazer para o Piódão já é um grande sacríficio familiar, e não fosse a minha mulher, mãe e sogra, era impossível ter 3 a 4 horas ao fim-de-semana para ir para o mato treinar.Acho, e sublinho, acho, que me vou concentrar em provas de trail mais curtas. Mas depende muito do que acontecer no Piódão. 

 

Qual o teu modelo de sapatilhas preferidos para correr nos trilhos?

Tenho vários. Para além dos Faas 500 TR da Puma que tenho estado a usar nesta preparação e com as quais vou correr o Piódão, estou apaixonado pelos New Balance Leadville 1210v2. Já corri com umas Adidas Riot 5 e com um modelo da Reebok, os All Terrain Trail também gostei muito. 

 

Aconselhas o uso de meias de compressão para ultras?

É uma questão pessoal. Eu prefiro usar para a recuperação posterior. Nas provas não vejo muita utilidade. Mas, tal como indiquei anteriormente, é mesmo uma questão pessoal. De qualquer forma, se querem mesmo saber, vou levar meias de compressão na mochila aquando da prova de Ultra Trail do Piódão, não vá necessitar de ajuda a meio da prova. A partir dos 33 kms será tudo desconhecido...

 

O que vais levar de alimentação e hidratação para a prova do Piódão?´

Há muito que é das coisas que já tenho tratado. Levo 1 bidão de água, 1 bidão com isotónico (Isostar com sabor a Coca Cola) - e espero que chegue entre abastecimentos; 4 géis da Power Gel; 4 sacos de mel; 2 barras de gel da Aptonia; dois pacotes com sal grosso; e alguns frutos secos e talvez gomas. Levo ainda mais cápsulas do isotónico do Isostar para fazer nos postos de abastecimento.

 

O que vais levar na mochila?

Para além do que é obrigatório (telemóvel, apito, manta térmica), vou levar um kit primeiros socorros, vou levar uma faca/canivete; meias compressoras; e levo ou uma agasalho térmico ou, se estiver frio e tempo seco, levo o impermeável na mochila. Levarei o meu frontal – espero acabar de dia, mas isto nunca se sabe.

 

O que te preocupa mais na prova que vais fazer no Piódão?

Preocupa-me conseguir chegar aos postos de abastecimento dentro do tempo estabelecido pela organização da corrida. Também me preocupam mais duas coisas: não me lesionar (sobretudo não ter caibras e problemas nos joelhos nas descidas) e não atrasar os meus companheiros de crew.

 

E é isto. Numa semana em que treinei durante 3 horas e picos em Monsanto, onde eu e o amigo Rui Alves Pinto fizemos 25 quilómetros e qualquer coisas com 600 de D+ e onde acabei de rastos. Mesmo de rastos. Mais cansado do que em provas de trail que tenho feito ultimamente.

Com este treino entrei em três semanas de treinos mais puxados, para depois "descansar" mais perto da data.  Ontem, terça, fiz um treino curto, só por 35 minutos, mas foi muito bom porque os kms foram rápidos, e percebi que a minha zona de conforto está agora nos 5:10/km quando há cerca de um mês era de 5:40/km. Isto de fazer subidas faz maravilhas!

 

p.s. - hoje, às 19h15, há um treino do Correr na Cidade guiado por um gentleman dos trilhos: David Faustino. Se puderem, não faltem, é sempre uma lição de como correr melhor em trilhos.

Boas corridas.

 

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