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Correr na Cidade

Começa a correr. É um hobby barato. Mas será isso verdade?

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À primeira vista a corrida é um dos desportos mais baratos que há. Basta um par de sapatilhas de corrida, roupa, muita vontade e algum suor. Feitas as contas e partindo do pressuposto que calções e t-shirt já lá temos em casa e que vontade ainda se arranja de graça com uns 50/60€ investidos numas sapatilhas estamos prontos para nos fazer à estrada. Mas será mesmo assim?

 

Eu pelo menos fui bem enganado. Quanto mais nos envolvemos e começamos a ganhar o gosto pela corrida o mais ela exige de nós, tanto fisicamente, mentalmente como financeiramente. Apesar de para a maioria dos corredores ocasionais um ou dois para de sapatilhas e dois outfits serem suficientes depressa descobri que estava viciado e precisava de mais. Novas peças de roupa, equipamento de toda a espécie, falta sempre alguma coisa e acima de tudo sapatilhas. Modelos para correr rápido, para séries, treinos longos, dias de descanso, meias-maratonas, aquelo modelo amarelo que vos parece o mais bonito que já viram e mesmo a vossa cara e tudo isto ainda sem entrar na panóplia de modelos diferentes necessários para o trail, um para cada tipo de terreno e clima. Somando tudo são mais de 20 modelos diferentes que tenho atualmente no armário, e o mesmo se aplica a casacos, mochilas, meias, calções e afins. Uma pequena fortuna já investida em equipamento, tudo sem contar com os relógios, esses merecem um capítulo específico.  

 

A primeira vez que ouvi que um sapato de corrida só durava entre 700 a 900 quilómetros achei que mais depressa deixava de correr do que atingia essa meta. Alguns anos mais tarde já sei que só na preparação para uma maratona ou um ultra trail atingimos esse número, o que implica desde logo investir a dobrar no equipamento, mas esta parte não se conta a quem pensa começar a correr.  

 

Feitas as contas ao material é preciso agora olhar para a comida. Barras, géis, gomas e afins. De várias marcas e modelos até finalmente acertar com aquela que realmente é a mais adequada para cada um de nós. E a quantidade!!! Uma Loucura. Só numa prova de trail sou capaz de levar entre 5 a 10 barras e géis, além das capsulas de sal. Juntando a isto a comida ingerida nos treinos dava para ir jantar fora, a comer bem, várias vezes ao ano.

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E se treino tanto e tenho todo este manancial de equipamento e comida à minha disposição mais vale inscrever-me numas quantas provas, certo? Vamos lá fazer contas ao dinheiro da inscrição, da deslocação, do hotel e refeições. É melhor não, mas certamente que ia de férias para algum local exótico. Querida desculpa, para o ano vamos às Maldivas prometo.  

 

E se quero ir a provas quero estar na minha melhor forma. Então vamos lá arranjar um treinador, umas quantas massagens para relaxar os músculos, vitaminas ou outros suplementos para não andar sempre tão cansado. E com tanto treino e esforço para atingir o pico de forma ou para bater o meu PR nos 10k é normal que apareçam uma ou outra dor e por vezes algumas lesões. Vamos então marcar a consulta no médico ou fisiatra para debelar logo isto e regressar aos treinos o mais rápido possível.

Já somaram tudo isto?

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Não é a história que nos contam ao início. Mas é a que me faz feliz. Com a carteira mais leve, mas com muitas aventuras e amigos feitos ao longo dos anos, que irão para sempre marcar a minha vida e as minhas memórias. Não sendo o que me define correr é já parte de mim e onde sou mais livre.

Boas corridas e espero encontrar-vos nalgum trilho de Portugal  

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