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Correr na Cidade

A vitória do André na Etapa da Volta

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A Volta a Portugal terminou este Domingo com a vitória do João Rodrigues da equipa W52-FC Porto.

Mas eu vivi em pleno outra grande vitória, a do meu amigo André Afonso, na Etapa da Volta, a etapa aberta ao publico em geral no dia de descanso dos profissionais, excecionalmente bem organizada e que recomendo a participação no próximo ano.

Foi um bonito passeio de 70km pela região da Guarda, em ritmo moderado para aproveitar cada momento, e vivido intensamente ao lado do André, cujo testemunho de superação partilho hoje com vocês.

 

 

Por André Afonso

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2 Anos separam estas fotos e muita coisa aconteceu…

Começamos pelo foto de baixo...
Apesar do ar de satisfação na foto a verdade é que nesse dia não acabei a prova, após 50 Km dei uma queda (nada de grave mas impossibilitou de continuar) e lá fui eu até à meta no carro vassoura.

3 meses depois veio o pior dia minha vida, com uma forte dor aguda na costas fui visto por especialista e após uma RM vi na cara do médico que vinha aí um cenário daqueles (duas hérnias em dois pontos críticos na coluna que estavam a esmagar a medula)… nunca mais esquecerei das palavras dele nesse dia “ou você é já operado ou daqui 2/3 meses vocês estará numa cadeira de rodas para sempre…” Saí do consultório e sentado no carro a absorver toda a informação e as lágrimas começaram e escorrer pela cara…

3 semanas depois entrei no bloco operatório com 2 cenários, ou corria tudo bem, ou corria tudo mal, o famoso 50/50…

Após 6 horas de operação chegava ao quarto e umas horas mais tarde já conseguia dizer algumas frases com sentido pois o efeito daquelas cenas boas que eles dão estava a passar… e claro após perguntar se tinha corrido tudo bem, a minha segunda pergunta foi e “bicicleta vou poder voltar andar?” E claro típico de médico lá veio a resposta padrão “ainda é cedo para fazer qualquer tipo de prognostico”.

2 dias depois já estava em casa e começou ai um longo e duro período de recuperação… sem autorização para fazer o que fosse para alem de estar deitado, ir ao WC e banhos que eram uma tortura só para entrar na banheira... já para não falar na grande dose de medicamentos (15 ao longo do dia + uns SOS para as dores)
Mas focado numa recuperação rápida e certinha, pois tinha o objectivo, que até aquele momento era impensável, de voltar andar de bike….

3 meses depois lá fui tirar os pontos e uma racha de alto a baixo ficaria tatuada nas minhas costas para sempre… Após a sessão de dor lá veio a pergunta novamente “bicicleta vou poder voltar andar?” E lá veio mais uma resposta padrão “ainda é cedo concentre-se na recuperação mas diria que nos próximos dois anos não o vejo andar de bicicleta, se vier…” sem aceitar muito bem o diagnostico lá fui fazendo as coisas conforme o medico mandava….

3 meses mais tarde (6 meses após operação) nova RM para verificar se tinha ficado limpo ou se havia mazelas… e foi ai que ouvi da melhores notícias que nunca mais esquecerei também “em tantos anos de experiência nunca via uma recuperação tão rápida e tão boa como a sua fase a gravidade do seu cenário”… Não me contive de alegria e claro lá veio a pergunta novamente “posso voltar a pedalar?

Com algumas reservas o medico la me foi fazendo algumas perguntas, em que género de piso andava? Se era só estrada? Se fazia BTT? Se fosse BTT estava fora de questão, e estrada ainda seria cedo. Foi quando expliquei o que era fazer rolo e com alguns vídeos no youtube lá tive autorização para fazer rolo, senti-me como uma criança em pleno natal.

Passei de um cenário "só daqui a 2 anos se vier", para passados quase 7 meses depois estar em cima de uma bike…

E mais uma aventura vinha aí…
As pernas estavam ainda dormentes, os músculos não reagiam, mas a minha vontade de subir para a bike era enorme, e montada num rolo, parecia quase uma escalada aos Evereste.
Mas teimoso lá fui com ajuda de um step subi e lá comecei a dar as primeiras pedaladas.

Nem um ano tinha passado e começava a dar as primeiras pedaladas na estrada com o meu grande amigo Nuno Malcata, que tem sido alguém importante nesta travessia do deserto (entre outros não menos importantes), fazendo treinos ao meu ritmo quando podia treinar num ritmo superior.

Hoje, passados quase 2 anos, quando só agora era suposto poder estar a dar as primeiras pedalas sinto me cada vez melhor e sem surpresa ao cortar a meta peguei na bike e os olhos mergulharam em água transbordando felicidade...

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