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Correr na Cidade

A (breve) história do Correr na Cidade Running Crew - parte I

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Por Filipe Gil:

Como alguns de vós sabem o Correr na Cidade Running Crew fez no passado dia 15 de novembro dois anos de existência. Como um dos fundadores publico a partir de hoje e até sábado umas linhas sobre a breve história desta running crew.

Tudo começou com o blogue Correr na Cidade, criado em Abril ou Maio de 2012 – confesso que não me lembro bem. Através da minha mulher conheci o Bruno Andrade e entre os vários assuntos que conversamos em cafés e encontros com os filhos à volta, a corrida veio à baila. A maior experiência do Bruno, que já tinha feito uma Meia Maratona e já tinha corrido com um grupo de corredores mais experientes, levo-nos a combinar umas corridinhas juntos e nessa altura comecei o blog. A paciência do Bruno foi enorme, eu que arfava ao fim de 8km.  Se ele não tivesse insistido, provavelmente não estava aqui a escrever estas linhas. 

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Os meus velhinhos Nike Zoom. Na altura nem sabia o que significava a palavra pronador.

 

Às nossas corridas de fim-de-semana, a que rapidamanete acrescentamos corridas durante a semana, sobretudo durante o verão, começaram a juntar-se mais alguns amigos: o Nuno Espadinha e os meus cunhados. Começamos a correr juntos mais assiduamente até que decidimos participar na Corrida da Selecção promovido pelo extinto BES, precisamente no dia em que Portugal se estreava no Europeu de 2012 com uma derrota frente à Alemanha. Foram cerca de 8km desde Oeiras até ao Estádio Nacional em Junho de 2012. Foi a minha segunda prova oficial – a primeira tinha sido a Mini Maratona de Lisboa em 2008 feita em conjunto com a minha cunhada Rosária.

 

Vi-me e desejei para correr a subida final no Jamor que acaba no Estádio. Já na pista tive que andar. Fui fraco. Já o Bruno Andrade acabou fresco como uma alface, e atrás de mim veio o Nuno Espadinha a debater-se com os quilos a mais da na altura. Mas este episódio foi muito importante, percebi que a corrida tinha vindo para ficar, adorei o ambiente e o desafio psicológico de correr. Gostei muito da curiosidade intrinseca nas corridas. 

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Eu, Bruno e Nuno, todos com peso a mais...

 

E foi essa mesma curiosidade que me fez procurar cada vez mais informação sobre corrida, running crews, grupos de corrida. E, defeito meu, comecei primeiro a olhar para fora, para o estrangeiro, do que para o que se faz em Portugal. Conheci, através da net os Run Dem Crew, os nova iorquinos Bridge Runners, que mais tarde se dividirem em Black Roses NY, os Patta Amsterdam, os fantásticos NBRO, etc.

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 Os NBRO  de Copenhaga com os Run Dem Crew de Londres. Só gente "cool"

A sua abordagem “cool”, “indie”, depreendida, criativa pela corrida fez-me sonhar e inspirar em fazer algo parecido em Portugal, ou em Lisboa, para ser mais verdadeiro. Li posts e sites de corrida  “de fio a pavio”, descobri publicaçõesdiferentes e percebi uma abordagem diferenciadora e um cuidado com a imagem fantásticos.

 

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A nipónica Corner Magazine, que infelizmente só teve dois números editados.

 

Percebi que havia jornalistas, criativos, pensadores, escritores, músicos, fotógrafos, designers que se tinha apaixonado pela corrida, que “deixaram” que a corrida entrasse e mudasse as suas vidas. Se até o trend setter Tyler Brulê – criador da Wallpaper e diretor da Monocle, da qual sou fã, corre diariamente e tem orgulho nisso, se o fantástico Malcom Gladwell corre, e muito. Se o Murakami escreveu um fantástico livro sobre corrida (o meu preferido). O "mojo" da corrida apoderou-se de mim. 

 

Nessa altura estava a sair de um projeto do qual tenho o maior orgulho ter sido um dos fundadores, o Jornal Pedal. E isto tudo fez crescer em mim o gosto pelo running, ajudado pelo exemplo do  Bruno Andrade, que foi a minha primeira inspiração para correr. Passadas umas semanas lancei-lhe o desafio: e se começássemos a correr com a mesma camisola, com o mesmo nome, com o mesmo logótipo, e criassemos não um grupo de corrida, não uma equipa, mas uma running crew? O Bruno que não é de comunicação, olhou para mim com alguma desconfiança. Ainda hoje estou para perceber se achou piada à ideia ou se achou que eu era um louco.

 

Continuei a pesquisar e daí descobri dois grupos que me inspiraram, desta vez em terras lusas: os Run4Fun e os Scalabis Night Runners. Grupo de corrida fechados com uma postura que me agradou. Por dias, antes de formar a crew, ainda pensei pedir afiliação ou a uns ou a outros. Mas achei que tinha alguma capacidade de criar um crew mais à imagem do que se fazia lá fora  e que, pelo menos, seriamos três ou quatro, uma multidão, portanto a correr com algo novo e original.

Assim, e depois de umas corridas, lá convencia o Bruno Andrade  e formarmos a Correr na Cidade Runnig Crew e coloquei no blog o seguinte:

“Hoje, dia 15 de novembro é o dia de fundação da Correr Na Cidade Running Crew, e este blogue passa a ser também o blogue de uma runinng crew – para além da sua função normal de blogue sobre corridas. Os fundadores da running crew sou Filipe Gil e o Bruno Andrade". 

 

O nome não foi fácil e pensamos em várias coisas, mas achámos que devia ter o nome do blogue, até para dar a conhecer este a mais pessoas e porque o nosso propósito era de ser um movimento urbano, de corrida nas cidades - nesta altura não fazia a mínima ideia o que era trail running... O Bruno, nesta altura começou, amiúde, a escrever para o blogue também. Pedi a um amigo designer – que ainda está com o projeto do Jornal Pedal – o Luís Gregório para fazer um logotipo para a crew.

 

Queria que não tivesse uma cor oficial mas sim várias e que poderiam mudar consoante as estações do ano, mas que fosse urbano – como o nome da crew –  com bom gosto, meio "indie" e diferente de tudo o que havia. Ele deu-nos duas opções a escolher. E escolhi este nas diferentes versões de cor.

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 O logo nas diferentes cores que poderiam ser utilizadas conforme nos desse na "real gana"

 

A primeira prova que fizemos com tshirts brancas e de CnC Running Crew ao peito foi nos 20Km de Cascais – se não me engano. A ideia de nos preparar para a uma Meia Maratona em Março de 2013, começou a ganhar terreno. Convencemos o Nuno Espadinha a pertencer à crew e na altura o meu primo Pedro Gaspar e os meus cunhados Osvaldo e Rosária. Curiosamente, estes três, por diversas razões estão afastados das lides da crew, mas com porta aberta sempre que desejarem.

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A primeira tshirt do Correr na Cidade. Quando as Kalenji ainda tinham qualidade...

E a partir daí a crew e o blogue começaram a aparecer nas corridas e começamos a trocar mensagens com algumas crews internacionais e nacionais, sobretudo, em Portugal, com os Scalabis Night Runner.

 

Para a Meia de Lisboa fizemos t-shirts novas, encarnadas (apesar do Bruno preferir em azul, desejo mais tarde satisfeito), que serviram para o baptismo dos 21K para mim e para o Nuno Espadinha e para o regresso à distância do Bruno Andrade. E correu bem. Quer dizer, podia ter corrido melhor, mas só serviu para aumentar a paixão pela corrida e sentirmos que estavamos a criar uma coisa engraçada. Isso e muitas bolhas nos pés.

16570297_nkQnM.jpegMúsica, apps, headphones e bolhas nos pés.A crew vencia a distância da Meia Maratona!


Amanhã volto a mais um capítulo.

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